Tibério Vargas Ramos
Ensaios
A propósito, contenção e democracia

Z YE9, Rádio Alegrete, “nos altos do edifício Galícia” (Foto Memória Alegrete)

A Estação Ferroviária de Alegrete (Foto Memória)

A viagem de trem para o hospício (Foto ilustrativa)

Tibério Vargas Ramos

 

Contenção, a propósito (1)

 

Lembro-me do meu tempo de guri em Alegrete. Eu ia passando sozinho pela Rua Ipiranga, na frente da Rádio Alegrete, com “estúdio nos altos do edifício Galícia” como os locutores diziam na época, referindo-se ao segundo andar (!). De repente, levei uma pancada na cabeça e saí correndo para não apanhar mais. Era uma pobre doida idosa, baixinha e magra, cabelos brancos espetados, sempre de sombrinha fechada, faça chuva ou sol, para bater na criançada que mexia com ela, feita a justiça dos homens. Fiquei indignado porque eu, modestamente, era muito educado e jamais iria zombar de uma pessoa mais velha e visivelmente perturbada, nem tinha visto a coitada.

Outro andejo cruzava pelas calçadas recolhendo caixinhas de fósforos e baganas de cigarros, sempre sorrindo com as pequenas descobertas. Foi ficando mais velho e carregava caixas de sapatos recolhidas nas sapatarias. Processo acumulativo.

Havia um andarilho que os moleques mancavam com ele perguntando “quantas hoje?” Ele respondia dezenas, centenas. Foi ficando cada vez mais sem noção de quantidade e respondia “milhares, milhões”. E as pessoas riam, sem nenhum dó de sua senilidade.

Na casa de saúde e sanatório da Cidade Baixa, tinha pequena cela para recolher doentes mentais em surto. De acordo com a triagem, era recomendado ou não o recolhimento ao Instituto Psiquiátrico São Pedro, em Porto Alegre. O funcionário Silvano era o encarregado de levar o enfermo à Capital, em viagem no trem de passageiros. Com habilidade, disciplina e resistência ele fazia a maioria dos translados, sem qualquer incidente com as demais pessoas. “Lá está sentado o Silvano com um louco”, era logo identificado. Só eventualmente era obrigado a colocar camisa de força, se o paciente fosse muito forte, tivesse os olhos estalados, entortasse a boca para falar e demonstrasse sinais de dominação.

 

Democracia, a propósito (2)

Partenon, Atenas, os pilares da democracia (Foto ilustrativa)

 

PGR solicita a identificação e averiguação de 64 milhões e 136 mil pessoas que acompanham Bolsonaro em seis redes sociais. Como muitos perfis serão repetidos, o levantamento não permitirá a localização exata dos 58 milhões de eleitores que votaram no ex-presidente nas últimas eleições. Sugiro com toda a vênia a Vossas Excelências o aprimoramento da urna eletrônica, não para o voto impresso para eventual conferência do escrutínio, não, jamais, está ótimo assim.  No momento em que o fiscal libera a urna através da biometria com o nome do eleitor, é possível identificar o voto se o sistema estiver acoplado. Quem não votasse no candidato oficial era eliminado sumariamente do sistema. A eleição seria tão perfeita que poderia ser adotada pela Venezuela, Nicarágua e Cuba, retornando a democracia relativa àqueles países.

Publicado em 19/7/2023
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