Tibério Vargas Ramos
Ensaios
Paris-Porto Alegre em 1968
Che estava morto, não simpatizava com a cara redonda e amarela de Mao.

Tibério estudava Jornalismo na PUC gaúcha em 1968 (Arquivo Pessoal)

Chope no Boi na Brasa, em Porto Alegre, em 1968 (Arquivo Pessoal)

Tibério Vargas Ramos

Maio de 1968. Eu tinha 19 anos. Fazia Jornalismo na PUC com bolsa de estudos. Nas primeiras aulas aprendi a comprar os melhores jornais do país. Lia empolgado o levante dos jovens em Paris nas páginas do JB e do Correio da Manhã, ambos do Rio. Participei de todas as passeadas em Porto Alegre contra a ditadura. Che estava morto, não simpatizava com a cara redonda e amarela de Mao. Assistia aos filmes franceses da nouvelle vague no Cine Vogue da Independência. Sábado à noite, bebia chope com batatinhas no Pedrini ou com linguiça no Boi na Brasa, os pratos mais baratos para enganar o apetite. Almoçava bandejão na Casa do Estudante. Vivia da mesada do pai. Morava num quarto de pensão na escadaria da 24 de Maio, na Cidade Baixa. Banheiro no corredor. Não tinha lugar apropriado e nem toca-discos para convidar meninas para ouvir música e desfrutar do amor-livre, a única bandeira vitoriosa de 68, passado meio século.

Publicado em 6/5/2018
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